O goleiro Rafael tem se firmado como um dos principais nomes da posição no país e foi convocado por Mano Menezes para o próximo amistoso da seleção brasileira, dia 28 de fevereiro, contra a Bósnia.
Parte desse sucesso vem de Sebastião Martins de Oliveira Júnior, o Arzul, ex-goleiro e quem hoje trabalha na preparação de Rafael como auxiliar de Oscar Rodriguez. O site Santista Roxo conversou com o membro da comissão técnica do Peixe para saber como está sendo o trabalho com o jovem camisa 1 e os cuidados para as partidas na altitude pela Libertadores.
Santista Roxo: Porque esse apelido Arzul?
Arzul: Comecei a jogar profissionalmente na Portuguesa Santista em 1982, durante a Copa da Espanha. Honduras tinha um goleiro chamado Arzul e na época, como eu estava vivendo uma boa fase, o pessoal começou a falar “o nosso Arzul está bem”. Aí o apelido pegou.
SR: Você tem uma história bem ampla no Santos
Arzul: Graças a Deus a gente construiu uma grande história. Sou de Santos, torço pelo clube eisso é fundamental, o que aumenta a identidade. Cheguei aqui em 1999. O Felipe era o goleiro mirim, depois chegou o Rafael no juvenil. Nos juniores trabalhei com o Vladimir. São 10 anos construindo essa história.
SR: O Rafael já era tudo isso mesmo ou se superou?
Arzul: Logo quando ele chegou, aos 16 anos, já apresentava uma técnica muito boa, que chamou a atenção. A parte física estava bem debilitada, pois estava há muito tempo sem jogar. Tivemos que fazer um trabalho bem específico e também corrigimos alguns posicionamentos, algumas técnicas, que ajudaram o que ele já tinha. Isso facilitou o trabalho.
SR: Como é ser preparador de goleiros. É uma função difícil?
Arzul: Primeiro tem que gostar do que você faz. Joguei profissionalmente, depois me tornei goleiro de salão do Santos. Preparar goleiros é tudo de acordo o que o goleiro vai apresentar mediante a uma falha. A partir daí que você vai reconhecer as qualidades reais de um goleiro, as condições psíquicas, técnicas e físicas, e começar a trabalhar. Você conseguindo um bom alinhamento, o trabalho se tornará mais fácil.
SR: A altitude muda mesmo a velocidade da bola? Isso atrapalha?
Arzul: Sim, ela aumenta. É muito dinâmica, então existe uma preparação que foi iniciada desde o início dos trabalhos, que é de potência muscular para o goleiro ter maior mobilidade possível. De acordo com a velocidade da bola, quanto mais velocidade das suas pernas, melhor você vai estar atrás dela. Também tem a parte técnica que é o posicionamento. Você não pode jogar adiantado porque a bola varia muito. Tem que ficar atento a todo instante, é um trabalho específico que exige cada vez mais.
SR: A maior dificuldade são os cruzamentos ou os arremates?
Arzul: Essas bolas frontais, de 30 a 40 metros. Parece que não, mas complica muito, porque ela viaja e balança muito, tem gente na sua frente.
SR: Existe diferença entre a bola do Paulista e da Libertadores?
Arzul: A gente treina com as duas situações. A bola do Campeonato Paulista balança muito, também viaja muito, tem muita velocidade. Já a bola da Libertadores, para quem chuta é uma maravilha, mas para o goleiro é horrível. Ela ganha muita velocidade e é constante. O posicionamento e o trabalho de pernas do goleiro têm que ser maravilhoso.
SR: Os times acostumados com a altitude também sofrem aqui?
Arzul: Os brasileiros sofrem mais. A questão de adaptação é o maior problema. Quando você chega, até se acostumar, é difícil. Nós estamos em desvantagem.
SR: Ser ex-atleta ajuda no seu trabalho?
Arzul: Sem dúvida ajuda muito. Como fui goleiro, sei que as bolas mais difíceis são aquelas com curva e força, então tentamos imaginar o que o lateral vai fazer. O preparador de goleiros tem que treinar de acordo como o lateral bate para facilitar essa bola no jogo. Faço isso constantemente e as repetições ajudam muito. Estou há 15 anos nessa função e você vai estudando os adversários, a forma que os laterais cruzam. Facilita muito para o goleiro no jogo.
SR: O seu trabalho tem sido bom. Você já foi reconhecido?
Arzul: Estou sendo preparado para ser o preparador de goleiros do time profissional do Santos. Já está sendo feito um trabalho com o professor Oscar, que me indicou para o principal. Ele me trouxe com a avaliação do Muricy, dos diretores da base e do nosso gerente Luiz Carlos. Isso me envaidece muito, me gratifica. Meu foco é ser o preparador de goleiros do clube.
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