Reeleito vice-presidente do Santos para os próximos três anos, Odílio Rodrigues conversou com a reportagem do Santista Roxo sobre o desafio de comandar o Peixe ao lado de Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. Manter a performance vitoriosa das últimas temporadas, quando o clube sagrou-se TRI da Libertadores, bi do Paulistão e campeão da Copa do Brasil, é o principal objetivo.
Santista Roxo: Neymar gravou recentemente um comercial em Barcelona. O assédio, que continua forte, incomoda os dirigentes?
Odílio: Não incomoda. O Santos tem extrema confiança no Neymar, que é uma realidade, um atleta especial para o Santos não apenas para a torcida, mas para a diretoria. Este acordo assinado com o jogador foi fruto de uma reunião que durou mais de dois meses, com o pai dele e algumas vezes com o próprio atleta. Temos muito claro o desejo do jogador, a convicção dele na opção que fez. O assédio existirá sempre, pois é um craque de bola e está muito em evidência. Temos que entender disso, faz parte do mercado.
SR: Por que a negociação com o Jonas não deu certo?
Odílio: A proposta inicial partiu do Jonas, com o Santos comprando 50% dos direitos econômicos. Ela envolvia a permanência do Maranhão no Coritiba, com o Santos pagando metade de seus salários. Foi feito um cálculo na primeira reunião com o presidente do Coritiba, uma pessoa muito educada, e chegamos a um valor X. Durante um ano teríamos o montante Y e assim as coisas andaram. Só que, no decorrer, percebemos que o valor do atleta era maior e que ainda existia uma parcela de R$ 80 mil de luvas que teria que ser honrada pelo Santos. Esses valores aumentaram bastante em relação ao cálculo inicial e entendemos que as negociações não deveriam prosseguir.
SR: Mas o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro, afirmou que o Santos não queria pagar os 50% dos direitos e o negócio melou.
Odíllio: Não, o valor do Jonas foi acertado e não houve nenhum problema desde os primeiros contatos, quando o valor do atleta foi definido e as partes concordaram. Na verdade, houve outras complicações na composição da negociação, que envolvia outros jogadores e valores.
SR: E quanto as contratações? O Santos tem mostrado lentidão neste quesito, não acha?
Odílio: Primeiro quero ressaltar que a diretoria e a comissão técnica entendem que o Santos tem um bom plantel. Mas, pelo fato de acontecerem convocações para a seleção, disputa da Libertadores e possíveis lesões, será importante procurarmos reforços e o Santos está atento a isso. Estamos constantemente vendo outras negociações. Temos uma política de contratações e salários e queremos segui-la rigorosamente, pois é estabelecida pelo Comitê de Gestão. Estamos alertas. Aparecendo um atleta que venha suprir, reforçar o nosso elenco e que se enquadre em nossa política de contratação, com o aval da comissão técnica, o Santos trará.
SR: Sem o Grupo Teisa, o Santos não teria dinheiro para contratações?
Odílio: A Teisa vai se transformar em fundo nos próximos meses, com mais volume de dinheiro, porque você abre a aplicação de mercado. Ela é um parceiro importante, porque a sua função é contratar jovens atletas apenas para o clube, jogadores que o Santos precisa e deseja. Na função de investidores, eles compram o atleta e deixam no clube, que define o tempo de permanência dele. No momento da venda o Santos, sendo uma boa vitrine, e a Teisa, por ter feito o investimento, compartilham o lucro.
SR: Como está o relacionamento entre Santos e Ganso depois do atleta ter vendido parte dos seus direitos ao parceiro?
Odílio: O relacionamento é totalmente amistoso. O atleta exerceu o seu direito. Tinha 10%, ofereceu ao clube, que tinha preferência, o Santos entendeu que não precisava comprar. Isso não muda nada, os direitos federativos são do Santos, que continua com o mesmo percentual. O atleta tem vínculo até 2015 e isto traz tranquilidade.
SR: E um possível reajuste salarial, que estaria defasado em relação a Neymar?
Odílio: Durante o ano passado chegamos a demonstrar o nosso desejo ao atleta, que teve uma visão crítica muito importante. Ele falou que gostaria de participar e vencer o Mundial e melhorar a sua performance, pois vinha de lesões. Disse que tinha que evoluir bastante e que, no momento oportuno, voltaríamos a conversar sobre o tema. Pela sua visão, este momento ainda não chegou. Quando chegar, estaremos prontos para conversarmos.
SR: Mas o Santos está disposto a procurá-lo?
Odílio: O Santos, em 2011, manifestou por várias vezes interesse em sentar com o atleta e conversar. Queremos que o jogador se sinta satisfeito no clube, mas o atleta ainda não se interessou em dialogar. O que nos resta neste momento é aguardar a evolução do negócio, o seu posicionamento, lembrando que ele tem contrato conosco até 2015. No momento que ele achar ideal, a gente conversa.
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