Por Lúcio Nunes
Faltam menos de 24 horas.
Não sei bem o que dizer. Ou sobre quem falar.
É… A sensação de ver o nosso Alvinegro de volta a uma disputa de Mundial Interclubes definitivamente é algo que transcende a mera escrita futebolística. Vai muito além da discussão tática, da análise técnica ou do que dizem os adversários.
Porque, sabemos, este momento significa muito mais.
Talvez a história nos ajude a explicar.
Afinal, hoje ela se renova, à imagem e semelhança daquelas que ouvimos por décadas a fio, sobre as tais onze camisas brancas que cativaram o planeta, envergadas por jogadores fora de série. Nos remete à saga do moleque franzino que se tornou rei, de gestos eternizados e carisma arrebatador. E revive o time que parou a guerra e rompeu fronteiras, encantando a todos por onde passou.
Mas, pensando bem, ainda é mais que história.
A física, quem sabe, possa esclarecer.
Que a meteorologia, então, de uma vez por todas, justifique a queda deste raio tantas vezes na Vila Belmiro, com todo este mundão por aí afora. Daqui de casa, mesmo há alguns quarteirões de distância, juro: já vi o clarão e ouvi o estrondo, duas vezes. Vizinhos mais antigos testemunharam outros tantos.
E a cada chamado, lá vamos nós ao templo sagrado para saudar o surgimento de um novo e legítimo herdeiro do branco da paz e do negro da nobreza.
Sabemos o quanto isso é fascinante.
Contudo, ainda é pouco para dar razão a este sentimento.
Pois bem, vamos recorrer à biologia.
Sim, porque isso está no nosso sangue. Em nosso DNA. Como diz aquele vídeo da SantosTV, você não escolhe ser santista. Você é escolhido. É assim que todos nos sentimos hoje. Somos os escolhidos para testemunhar a evolução desta linhagem talentosa, que a cada dia se mostra mais hábil para escapar de predadores, pragas e armadilhas que se espalham pelo caminho. Para isso, basta uma bola nos pés.
Começa a fazer sentido. Mas não precisa ser tão exato.
É aí que entra a arte.
Pois por mais que se tente, não há ciência que explique o que é o talento do craque a emocionar a torcida. O arrepio que provoca aquele canto em uníssono, movendo pés e corações em busca do sublime momento da consagração: o gol.
E é justamente neste instante que o Santos – há quase 100 anos – confunde a história, dribla a física e dá uma paradinha pra deixar a biologia estatelada no chão. Tal qual um dia ficaram os beques do Peñarol no Pacaembu, os volantes do Milan no Maracanã e o goleiro do Benfica, no Estádio da Luz…
É este o Santos que encanta o mundo. O Santos que aprendemos a aplaudir de pé.
O Santos que, com o talento e a simplicidade de seus meninos, pode e sabe que é capaz de nos brindar com outras cenas tão inesquecíveis quanto essas, amanhã e no próximo domingo.
É… Faltam menos de 24 horas.
E, definitivamente, não dá pra explicar.
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Lúcio Nunes (@lucio_n) é editor do Portal Santista Roxo.
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