Pai do goleiro Rafael, Sergio Barbosa está sempre acompanhando os passos do filho. Em visita do CT Rei Pelé, o também representante do jogador conversou com o Santista Roxo e falou sobre vários assuntos, como a fratura sofrida pelo camisa 1 durante um treino, o início da carreira e as pretensões para o futuro. Confira!
Santista Roxo: O Rafael tinha vocação para ser goleiro desde pequeno?
Sérgio: Ele tentou pela primeira vez aos tinha 5 anos, mas tomou um bolada e desistiu de jogar no gol. Em Sorocaba o Marinho, um amigo que era goleiro e jogou profissionalmente, convenceu o Rafael de tanto insistir e ele deu continuidade aos seis, sete anos. A partir daí disputou vários campeonatos em Sorocaba, conquistou 12 títulos de melhor goleiro na liga Sorocabana.
Com 10 anos, deixou o futsal e foi jogar no São Paulo, sendo inclusive titular. Mas com dois anos de clube, para a nossa surpresa ele acabou dispensado. Foi sua primeira decepção, mas que lhe trouxe força, pois a partir de então afirmou que seria profissional e que um dia o São Paulo iria comprá-lo. Isso marcou muito pra mim.
Posteriormente teve uma passagem em um clube coreano onde se desenvolveu e que lhe abriu as portas no Bahia, onde ficou por dois anos. Como o clube atravessava um período ruim, tendo caído duas divisões, acabou retornando para Sorocaba. Mas graças ao Ituano, que lhe uma chance através do professor Hélio Rubens, ele jogou no Sub-20, se destacou e despertou o interesse do Santos. E começou bem, já que em 2008 foram três títulos, o Paulista, Torneio de Porto Seguro e Itália. Em 2009, teve o apoio do Márcio Fernandes, que o levou ao profissional logo após disputar a Copa São Paulo.
SR: Então tudo começou numa brincadeira, a partir dos seis anos? O senhor o acompanhou quando ele se transferiu para o Bahia?
Sérgio: Fui para lá cerca de quatro vezes durante as férias. Conversei com o Bobô, acertei tudo e através dele consegui permanecer 30 dias, depois voltava. No futsal quem acompanhava era a mãe, a minha esposa, que faleceu quando ele tinha 13 anos. Só quando ele veio para o campo é que comecei a cuidar diretamente.
SR: O falecimento da esposa, o momento mais triste da família. A fratura sofrida pelo filho num treino aqui no CT também lhe trouxe abatimento?
Sérgio: Neste dia eu estava vindo para Santos. A imprensa toda na Vila Belmiro, a Marta faria sua estréia. Eu tinha acabado de entrar no apartamento dele, quando ele me ligou falando que tinha acontecido uma fatalidade e que quebrou a perna. Fiquei muito estarrecido, fui até o clube, acompanhei a ambulância, fui até o hospital e ele foi muito bem atendido pelo doutor Joaquim Grava, que deu muita credibilidade na cirurgia.
A fisioterapia do Santos foi sensacional e em quatro meses ele estava recuperado, a previsão era de seis a nove meses. Ele estava confiante, e pôde iniciar a sua trajetória junto com o Dorival Júnior. Quanto ao episódio, no futebol você sabe o que pode acontecer, mas no treino é uma situação muito delicada. O Rafael entende que não houve maldade do Domingos. A gente que está do lado de fora não aceita, mas como ele falou que foi uma jogada de jogo, temos que entender.
SR: Já houve um encontro entre o Rafael e o Domingos depois desse episódio?
Sérgio: Sim. No dia seguinte o Domingos foi até o hospital falar com o Rafael, se redimiu, pediu desculpas. Na minha opinião teve uma atitude de homem. Fora isso o Rafael já conversou com ele várias vezes, é um profissional do futebol, e se tiver que jogar junto novamente irá jogar. Ele também ficou chateado com esse fato, o Domingos não é maldoso, mas tem essas características próprias. É muito forte e precisa se aprimorar.

SR: O Rafael perdeu a mãe quando tinha 13 anos. Você acha que isso fez ele amadurecer bem antes do tempo?
Sérgio: Meu outro filho também amadureceu bastante, é natural você amadurecer rapidamente. Eles entenderam a situação. Também perdi o meu pai quando tinha 14 anos e me adaptei a realidade. Ele também se adaptou, encarou direitinho, sempre se lembra da mãe, e isso lhe trouxe um lado positivo. A personalidade, o caráter, tudo isso que ele conquistou da família, o apoio que eu tive na época foi muito importante. Eu trabalhava em São Paulo, tinha dois meninos para cuidar. Graças a Deus dei sequência, eles assimilaram bem e o resultado aí está. Dois filhos que seguiram o caminho do trabalho, do estudo e da dedicação profissional.
SR: Você ainda reside em Sorocaba. Pelo crescimento profissional do seu filho, a tendência é que continue ao lado dele, talvez até na mesma cidade?
Sérgio: Eu penso que sim. O Rafael namora desde os 13 anos com uma menina de Sorocaba, decidiu casar e, se um dia ele resolver sair do Santos, estará estabilizado, tranquilo.
SR: O torcedor do Santos aprendeu a ter carinho e confiança no Rafael, mas no começo a desconfiança era grande. O que passava pela sua cabeça quando ouvia isso?
Sérgio: Eu ficava pensativo, mas conversava com o Rafael e, sempre que analisávamos a situação, a conclusão era uma só. Para ter credibilidade e confiança, só jogando. O Santos deu essa oportunidade, ele foi aparecendo e amadurecendo.
Sabemos que todos os times grandes procuram goleiros experientes e o goleiro é a confiança do técnico. Graças a Deus o Dorival Júnior, juntamente com o Barbiroto, tiveram essa percepção e lhe deram a oportunidade. Mas também tínhamos a convicção que poderia chegar um outro goleiro como chegou o Aranha, um grande goleiro que fez com que o Rafael exigisse cada vez mais dele mesmo, tentando se aperfeiçoar dentro da sua profissão
SR: Porque o Rafael não aceitou a proposta do Palermo, da Itália?
Sérgio: Você não pode avaliar só o dinheiro, mas a oportunidade que você teve. Hoje ele tem o Mundial, a chance de estar entre os três goleiros nas Olimpíadas, o centenário do Santos, a Recopa, tem o Brasileirão, o Paulista. Você está em um elenco de alto padrão, alto nível. Lógico que o dinheiro muitas vezes faz você mudar de ideia, mas conversei com o Rafael e a gente pensou que, em termos profissionais, no momento ele não precisa de nada.
Se Deus ajudar o time a ser campeão do mundo, a valorização será maior. E tem o Centenário, você podendo entrar na história do clube. Hoje temos o Gilmar, campeão mundial, da Libertadores. O Rafael já conquistou a Libertadores, sendo o goleiro mais jovem da competição, depois de 48 anos. Por isso ficou feliz em permanecer aqui.
SR: Você.é a pessoa que cuida dos interesses do Rafael, Quando expira o vínculo dele com o Santos?
Sérgio: O vínculo dele vai até 31/08/2014. O Santos fez uma valorização financeira para ele e a ideia é não sair, ele quer fazer história no clube. Mas também depende do Santos. Não sei se após esses campeonatos se o Santos pretende dar essa sequência para ele, ser ídolo do Santos. Mas a idéia, pelo que conversamos, é dele continuar. Ele está feliz aqui, quer dar sequência, mas se surgir uma proposta boa para ambos os lados, nada impede dele deixar o clube.