Café da tarde, com Raoni David: colunista comenta a escolha do estádio do Pacaembu

Errata
Na minha última coluna que já data de um certo tempo, me equivoquei. Escrevi que o Ricardinho também havia sido convocado para a Copa das Confederações em 2005, junto com Léo e Robinho, mas estava enganado. O Ricardinho não esteve naquele grupo e jogou as duas partidas contra o Atlético Paranaense. Curioso é que não sou o único que coloca o Ricardinho neste pacote. Fiquei com dúvida do motivo para tal confusão…

Pacaembu ou Morumbi?
Para mim, a escolha do estádio Municipal foi muito boa, pois trabalho próximo a ele, tenho lugar tranquilo para estacionar a motoca e com ela por lá, posso ficar no estádio após o jogo até a hora que bem entender, sem precisar correr para pegar o metrô antes das 00h18.

Acesso ruim
Se o jogo fosse no Morumbi, o meu acesso ao estádio seria muito mais complicado. Teria, primeiro, de arrumar uma carona especialmente para voltar. Para ir, tudo bem, um ônibus na Teodoro Sampaio e por mais que ele demore, chego lá a tempo de ver o jogo.

Mas…
Mesmo assim, mesmo sendo bem melhor para mim o estádio do Pacaembu como palco da final, preferia o Morumbi pelo simples argumento de que no mínimo mais 30 mil santistas poderiam acompanhar em tempo real, no estádio, ao vivo, a sua equipe disputando uma partida histórica.

Renda
Além disso, temos ainda a renda possível deste jogo no Morumbi, como aliados. Fazendo contas rápidas, com uma média de R$ 50 o valor do ingresso, o clube poderia faturar cerca de R$ 3,5 mi no Morumbi, com 70 mil pessoas, contra R$ 2 mi no Pacaembu, com 40 mil pessoas, público mínimo exigido pela Conmebol.

2003
Naquele ano, na final da Libertadores, a torcida santista colocou 74 mil pessoas no estádio do Morumbi e no sábado que antecedeu a decisão e que teve início a venda dos ingressos, a bagunça no estádio são-paulino foi enorme. Cheguei lá por volta das 5h da manhã, comprei ingresso somente ao meio dia e mesmo assim, havia apenas o setor laranja (atrás do gol), disponível.

Dificuldade
Hoje, para mim, tudo é diferente, pois assim que o site oficial do Santos colocou os ingressos disponíveis para sócios à venda, com alguns cliques garanti meu acesso a este jogo histórico. Mas, e quem não é sócio? A estimativa é de que o Santos esteja perto de ter 40 mil sócios, exatamente a capacidade que o Pacaembu deve ser liberado para esta final.

Prêmio
Claro que os sócios devem ser premiados por ajudar o clube pagando suas mensalidades. Merecem sim, este privilégio. Mas, se o jogo fosse no Morumbi, os quase 40 mil sócios seriam privilegiados e mais outros 30 mil que não são sócios sabe-se lá o motivo, poderiam assistir ao jogo também.

Paciência
De todo modo, o Pacaembu está longe de ser um palco ruim para decidirmos o título da Libertadores. É um estádio aconchegante, de melhor acesso e cujo o torcedor santista já está acostumado a fazer festa. Além disso, e não menos importante, tem um enorme peso político nas atuais entranhas do futebol paulista e brasileiro.

Copa América
Mano Menezes, técnico da Seleção Brasileira, convocou ontem os 22 jogadores que vão para a Copa América, e como esperado, estão na lista Elano, Neymar e PH Ganso. A equipe se apresenta no dia 20, dois dias antes da decisão da competição continental.

Vamos perdê-los?
Não. Mano deu declarações bastante otimistas na coletiva após a despedida de Ronaldo ontem. Segundo ele, o Santos ainda não pediu a liberação do trio para a final, mas deve fazê-lo e assim que isso acontecer, terá o pedido acatado. Mano ainda disse torcer para que conquistem os dois títulos sul-americanos.

PH Ganso
Foi Mano Menezes também quem alertou para a possibilidade de o camisa 10 santista voltar até mesmo na primeira partida da decisão, no dia 15 de junho. Os médicos do Santos são menos otimistas e ainda contam com a segunda final, mas pelo jeito, as chances existem.

Raoni David tem 26 anos, é jornalista, sócio do Santos e editor do site da Federação Paulista de Futebol.

 

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