Marco Chadad
Compartilho com vocês um trecho do livro A bola não entra por acaso, de Ferran Soriano, sobre os últimos anos de gestão no Barcelona. Vale a pena perder (ou ganhar) cinco minutos na leitura. Está no capítulo cujo título é O ditador político:
É provável que o leitor tenha conhecido, ao longo da vida, líderes ou pessoas que assim se intitulavam que correspondam ao perfil de ditador político.
Ditador, porque é uma pessoa que impõe seu poder de maneira autoritária, e político porque é capaz de usar com habilidade as ferramentas de poder e influencia que lhe dá seu cargo, apesar de não ter os conhecimentos necessários nem ser um grande gestor.
Precisamente porque tem pouco conteúdo técnico ou pouca experiência, o ditador impõe seu poder de forma autoritária.
O modo de atuar desse tipo de líder é bastante comum a todos eles: comunicam suas decisões e opiniões de maneira veemente e em uma só direção, sem abrir espaço ao diálogo ou à discussão de ideias alternativas; abusam da emoção para convencer da necessidade de que se faça o que eles propõem e não dão argumentos sólidos.
Em caso de erro, o ditador político não admitirá nunca a própria responsabilidade e fará com que algum membro da equipe pague pelo erro.
Além disso, é habitual que o ditador se aproprie dos méritos de outros membros de seu grupo e faça todo o possível para aparecer diante da sociedade como um grande líder ou gestor.
As organizações que caem nas maos de líderes com esse estilo acabam por perder os membros mais talentosos, que vão para outras equipes nas quais seu valor é reconhecido, apreciado e desenvolvido.
Ao final do processo de decomposição, o ditador se vê rodeado de pessoas medíocres, que não questionam sua liderança, mas, ao contrário, o louvam continuamente, porque esse é o caminho que têm para conseguir uma posição superior às suas capacidades.
Qualquer semelhança com algum ex-dirigente do Santos FC terá sido mera coincidência.
Comentários (55)