Por @lucio_n
Se você não sabe o quanto eu caminhei prá chegar até aqui, como diz aquela canção, eu vou lhe contar.
Eu mudei.
Mudei muito, na esperança de iniciar uma caminhada mais longa.
Uma caminhada que fiz, pela última vez, nos anos 60. Mas que agora, me sinto pronto e plenamente disposto a repetir.
E pensar que há seis meses, só havia desconfiança e temor.
Um temor leviano, plantado por aí por aqueles que achavam ter uma fórmula mirabolante para me conduzir, acima do bem e do mal. Por isso, fiquei feliz quando, naquela tarde de dezembro, ano passado, 1882 pessoas materializaram o desejo de tantos milhões que me amam e se preocupam comigo.
Finalmente, meu destino passou a ser traçado por outras mãos.
Minha reputação, mundialmente reconhecida, foi construída à base do talento e do amor à camisa branca que envergo. Um talento que insiste em brotar em minhas terras, até na mais severa das estiagens, como uma benção dos céus. E um amor inexplicável, que me faz ser seguido onde e como eu esteja.
Nos últimos sete meses, coincidência ou não (eu duvido que seja coincidência), pude reviver essa reputação e esse amor como nunca.
Quem me deu essa chance foram meninos que, até então, pareciam destinados a sucumbir, como tantos outros, às leis crueis desse mundo em formato de bola. E outros não tão meninos, que chegaram desacreditados, mas não tardaram a mostrar seu valor e a transformar esta combinação em algo muito especial.
Como você já deve ter percebido, eu sou o Santos Futebol Clube.
E preciso de você para uma decisão que vai durar uma semana. Que começa em nossos domínios e termina em terras adversárias. E que pode nos levar a outras terras, mais distantes, no ano que vem. É tudo que queremos.
Preciso de você e de seu comprometimento, como naquele primeiro jogo do ano, quando quase ninguém notou a importância daqueles 4 a 0 no Rio Branco – mas, você, sim.
Preciso de você e de seu carinho, como naquela vitória contra o São Paulo, a primeira – é melhor especificar, porque só esse ano já foram quatro -, quando abraçamos juntos o nosso Robinho, que tirou “de letra” o seu tão aguardado retorno.
Preciso de você e de sua euforia, quando desandamos a lascar 10 no Naviraiense, 9 no Ituano, 8 no Guarani… quando tripudiamos com o deliciosamente irresponsável “chapéu” de Neymar no tal Chicão, o primeiro de uma longa fila de reclamões que se formou.
Preciso de você e de sua fibra, pois, mesmo depois de tantas goleadas, só com muita fibra conquistamos o título paulista. Quando restaram 9 em campo, quando Ganso disse que não saía, você também não arredou pé. E foi das arquibancadas que veio a força para lutar até o fim. Até a vitória.
Preciso de você e de sua confiança, que em meio a um ou outro revés nesta jornada santástica, podia até ter dúvidas sobre a próxima coreografia de André, Madson & cia., mas jamais duvidou da próxima façanha. Fosse ela eliminar o time de Vanderlei “Filé de Borboleta” Luxemburgo… ou dar uma surra de bola naquele tacanho grêmio de futebol portoalegrense.
Já passamos por tanto em tão pouco tempo até aqui, meus amigos. E sempre estivemos muito mais próximos do céu do que do inferno, por mais que aquela velha turma despeitada insista em tentar nos arrastar prá baixo.
Mesmo depois de todo encanto experimentado pelos quatro cantos do país… Mesmo sabendo desde a última segunda-feira que a nova Seleção Brasileira está sendo criada à minha imagem e semelhança, como naqueles inesquecíveis anos 60, eles vão continuar tentando.
Azar deles.
Eles não são capazes de perceber que, juntos, somos muito mais fortes do que qualquer adversário fora de campo.
E que dentro de campo, seja no solo sagrado de Vila Belmiro ou em qualquer terreno onde minhas onze camisas brancas estejam, juntos, sabemos como transformar até o impossível em mais uma página gloriosa de nossa história.
Como é bom saber que, logo mais, estaremos juntos novamente.
Lúcio Nunes é santista roxo e tem um blog no Portal.
Comentários (8)