Não adianta esconder, o Santos está em crise. O Lancenet confirma isso com palavras do técnico Dorival Júnior que admite ser este, o seu momento mais complicado no Santos. – No Santos é sim o momento mais delicado e complicado, só nós que convivemos com os problemas sabemos o que está se passando e as soluções que tentamos encontrar – disse Dorival, em entrevista à “ESPN Brasil”. Ou seja, existe um problema interno, provavelmente, bastante grave, pois a comissão técnica tenta solucionar, mas não consegue. E tudo isso às vésperas da final da Copa do Brasil. Uma das possibilidades é o assédio de clubes europeus aos garotos. – É real, mexe com todo mundo, altera mesmo o comportamento. Vários jogadores receberam propostas e os clubes não vão direto na origem (Santos), procuram o atleta para que a negociação se torne mais simples – criticou. Neste caso, creio que o clube pode acionar a FIFA, certo? Acho que o Santos deveria e estuda fazer isso, pois grandes equipes europeias como a Roma, já foram punidas, ou seja, a lei existe e é aplicada pela entidade máxima do futebol. De todo modo, o técnico insiste que o foco é a Copa do Brasil. – É natural que as atenções esteja voltadas para o São Paulo, mas é difícil esquecer a final, estamos perto da decisão. Jamais estaremos preparados para uma derrota, precisamos voltar a jogar de maneira mais decisiva no Brasileirão. Temos que melhorar, vamos trabalhar – finalizou. Sinceramente, está difícil acreditar num rendimento parecido com o máximo apresentado no primeiro semestre. Se tivermos nessas decisões ao menos um time competitivo, será ótimo, pois nem isso foi na partida contra o Atlético. O Santos poderia ter sido impiedosamente goleado por uma equipe fraca.
E se tem gente pedindo a cabeça de Dorival Júnior neste momento, o Globo Esporte conta que aparentemente, o treinador santista não tem culpa nesta má fase. Pelo menos no que diz respeito ao poder ofensivo da equipe. Depois disso, o time do técnico Dorival Júnior passou em branco contra o Fluminense, no empate sem gols, na Vila Belmiro, e na derrota por 2 a 0 para o Atlético-PR, na Arena da Baixada. A impressionante média caiu para 0,33. A culpa não é do esquema tático. Afinal, o time continuou jogando com a mesma disposição em campo. Todos cometem erros e certamente o treinador cometeu alguns. No meu entendimento, porém, insuficientes para projetarem uma demissão. O time segue jogando com a mesma formação que encantou no primeiro semestre, ele não fez nada que pudesse tirar o embalo da equipe neste sentido. Nada, como, por exemplo, tirar um atacante e colocar um volante. – Oscilações acontecem. Às vezes, por mais que o jogador se prepare da melhor maneira, as boas atuações não aparecem. Mas confio muito no Neymar e no André e eles vão voltar a jogar bem – afirma o treinador. Contra o Fluminense vi o Santos se aproximar daquele time do primeiro semestre, com bom volume de jogo. No Paraná, vi Neymar tentando dar velocidade ao time. O que quero dizer é que não entendo que esteja faltando vontade ao time. Espero estar enganado.
Nessa entrevista, Dorival mostrou confiança e otimismo, algo destacado pela A Tribuna. Mas quem está também otimista, são os jogadores e não apenas o treinador, inclusive o atacante Marcel, que entrou no lugar de André, citado por Dorival. “A gente tem que pensar na reabilitação contra o São Paulo. Não vamos ficar preocupados porque é um clássico; a gente tem que ganhar”, diz o atacante Marcel, que começou como titular na derrota para o Furacão por 2 a 0, nesta quarta-feira, no lugar de André. Quanto a mudança do Dorival, é claro que prefiro o André ao Marcel, mas achei justa a troca, pois o rendimento do atacante reserva estava bom nas partidas anteriores. O problema é que tecnicamente ele não está no nível dos santistas, mesmo em péssima fase. Mesmo vindo de três derrotas, o discurso é de tranqüilidade. “A gente está tranquilo. Perdemos esses jogos, mas acontece. Vamos pensar no São Paulo agora”, recomenda o meia Zé Eduardo. Dorival Júnior engrossa o coro: “”Estamos tranquilos. Não tem porque não estarmos”, argumenta. Tranqüilidade é bom, mas em excesso por soar como desleixo, ou como se não estivessem ligando para o mau momento.
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