RICARDO FERREIRA FONSECA: Santos: time, estádio, cidade…

Nasci em Santos e morei lá até o dia do meu casamento. É uma cidade muito gostosa para se viver, totalmente plana, com praia, enfim, muito agradável. Confesso que sinto saudades da época em que morava em Santos, gostava muito da qualidade de vida que tinha. E todos que lá moram ou já moraram sabem do que estou falando.



Entretanto, é uma cidade de 500 mil habitantes, menor que grandes centros, como Campinas e Ribeirão Preto, por exemplo.

Por um acaso, surge Pelé e a sua geração maravilhosa e transcendem o time do Santos para fora dos limites da cidade. O Santos se torna grande e passa a figurar no início da década de 70 entre as maiores torcidas do país. A explosão se dá ao final dessa década e do início da de 80. Chegamos a ser a 2º maior torcida do estado, perdendo só para a do Corinthians.( Continuamos figurando entre as 08 primeiras. O Santos é o único time grande que não pertence a nenhuma capital brasileira. É uma peculiaridade dele. Temos que entendê-la, porque parte daí essa grande discussão da nossa identidade).

Ganhamos e perdemos clássicos jogando no Morumbi. Ganhamos e perdemos títulos também! Enfim, conquistamos e mantínhamos a nossa grandeza não sendo de uma capital, mas estando nela. Consequentemente, estávamos mais na mídia, estávamos mais expostos aos jovens torcedores que começavam a definir os seus times de coração.(A história do Mano Brown é interessante. Conta ele que se tornou santista indo a um Santos x Palmeiras no final da década de 70 no Morumbi com 120.000 pessoas.

Detalhe: com o tio palmeirense e na arquibancada do Palmeiras. Diz que quando viu a massa alvi-negra do outro lado foi paixão à primeira vista! Só para fazer uma relação ao 1º jogo da final, acho que para quem assistiu pela TV, o impacto do espetáculo foi muito mais forte no Pacaembu do que se tivesse sido na Vila. Jogamos no estádio em que o Corinthians joga e lotamos da mesma maneira. Estamos dizendo de uma certa forma para os jovens torcedores que somos grandes sim, que podem torcer para o Peixe. E não tenho dúvidas que somente esse jogo já tenha sido responsável para se formar mais alguns torcedores. Torcedores esses que um dia se tornarão sócios, comprarão produtos oficiais, gerarão receitas, serão formadores de opinião, que manterão a grandeza do Santos FC.).

No mesmo depoimento de Mano, cita outro fato interessantíssimo. O Santos começa a se acovardar quando passa a mandar os clássicos e jogos importantes na Vila Belmiro. Talvez por termos produzido times horrorosos na segunda metade da década de 80, é que tenhamos recorrido ao péssimo gramado de nosso estádio. Por treinar e sempre jogar lá, conhecíamos todos os atalhos do campo, o que nos trazia um diferencial para ganharmos as nossas partidas.( Coisa de time pequeno. Talvez por isso que escutamos essas piadinhas com frequência!).

Acho engraçado os rótulos e mentiras que são criadas:” A VILA É O NOSSO CALDEIRÃO. OS OUTROS TIMES TREMEM QUANDO VÃO JOGAR LÁ”.Balela, lembro-me do 1º jogo decisivo na década de 80. Mais precisamente em 1986, uma semi-final contra a Inter de limeira em que perdemos a partida de ida por 2 x 0.Um pouco mais a frente, em oitavas de final contra o São Paulo( Brasileiro de 1990), perdemos por 1 x 0 gol de Mário Tilico.

O Santos passa a renegar a sua grandeza para querer se tornar inconscientemente uma Ponte ou Guarani de Campinas. Lamento que essa vertente ainda seja forte no Santos FC.

Voltando um pouco ao nosso passado recente, saímos da fila em 2002, dividindo o Morumbi e ganhando nos dois jogos. Tá certo, perdemos a Libertadores de 2003 enfiando 75.000 pagantes no Morumbi.Tudo bem, perdemos assim como perdemos também a libertadores de 2004 empatando com o Once Caldas, a de 2005 perdendo para o Atlético Paranaense, A Copa do Brasil de 2006 empatando com o Ipatinga, a Libertadores de 2007 não fazendo o resultado contra o Grêmio, a Libertadores de 2008 não passando pelo América nas quartas, e por último, perdendo a tão agaurdada final de campeonato ao longo do tempo em seu território. Tivemos que aguentar show de Ronaldo ainda.( TODOS NA VILA!!!!!!).

Para completar, ganha-se jogo com mando de campo, torcida a favor, independentemente de estádio. E claro, com bons times. Temos toda a responsabilidade de buscar os grandes centros, os grandes palcos. O trem está passando novamente e temos que pegá-lo. Desculpem-me, mas se depender de parte do Santos FC, em 40 anos seremos uma Ponte Preta e não entenderemos o porque. Reclamaremos que a mídia não dá o devido valor ao Santos FC,etc,etc,etc….A Vila sempre será o nosso berço, nunca deixaremos de jogar lá. Temos que saber dosar. Estar em grandes centros nos momentos importantes, SEMPRE!

Toda empresa se preocupa por motivos óbvios com a participação de mercado. E o Santos FC não pode ser diferente. Não pode ficar refém da Cidade de Santos. Cidade essa que incessantemente tenta fazer com que o time renuncie à sua grandeza.


PARABÉNS LAOR!

 
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Comentários (1)

  1. nevespc@yahoo.com.br quinta-feira - 26 / 08 / 2010
    Estive na Vila Belmiro dias atrás. É emocionante entrar nesse estádio, onde se respira o mais genuíno futebol. Sente-se a magia de ver pelos corredores exíguos um Feitiço, um Formiga, um Pepe, um Pelé, um Jair da Rosa Pinto, um Carlos Alberto Torres, um Edu, um Toninho Guerreiro, um Joel Camargo, Oberdan, Ramos Delgado, Rodolfo Rodrigues, puxa, enumerá-los é mesmo difícil... Esperemos que não tirem a Vila do nosso real e do nosso imaginário. Que não queiram construir as tais arenas, que sabemos bem que só darão lucro para aqueles quer usam o futebol para ganhar dinheiro. O peixe tem condições de manter eternamente a sua Vila e jogar grandes jogos em São Paulo, onde a torcida é imensa. O Santos é um clube especial, ele é do mundo, por isso a Vila nos basta e nos dá tanto orgulho.

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