MAYR CERQUEIRA GODOY: Duas falácias: o cai-cai e a paradinha…
São duas falácias que, de tão repetidas, passam a verdades indiscutíveis. Vejamos, primeiro, a história do cai-cai, adjetivo neológico aderido ao grande Neymar. O Neymar cai, pede-se amarelo para ele, porque nem foi tocado pelo adversário. Aí, como parênteses, entra a metafalácia, isto é, a falácia dentro da falácia: muitas vezes ele foi, sim, tocado pelo adversário. Mas, como veremos adiante, isso não tem a menor importância.
Na esteira disso, vem o papo das “faltinhas”, que ao deveriam ser marcadas. Ora, o International Board não faz referência qualquer a gradação das faltas, não há faltonas nem faltinhas, há faltas. Nesse mesmo diapasão, a falta marcada no meio de campo jamais será marcada na área, corolário da faltinhas. Faltinha não pode virar penalty, pela “regra 18″. Aí, famoso astro do merchandising, abusando de seu espaço televisivo, faz distinção entre “penalty” e peeeeeenalty”. Falta é falta, e, dentro da área é penalty. Só isso!
Mas, afinal, o que é falta? Vou usar a regra oficial da CBF, que grifei por conta própria:
“As faltas e incorreções serão punidas da seguinte maneira:
Tiro livre direto
Será concedido um tiro livre direto para a equipe adversária se um jogador cometer uma das seguintes sete infrações, de maneira que o árbitro considere imprudente, temerária ou com uso de uma força excessiva:
- dar ou tentar dar um pontapé (chute) em um adversário
- passar ou tentar passar uma rasteira em um adversário(…)”
Pelos grifos, vê-se que se o brucutu entortado pelo Neymar vai em cima e, pela sua própria grossura nem atingi-lo consegue, não tem importância: a regra manda punir a tentativa!
Mas, desde a morte do Dulcídio, poucos têm a macheza de marcar isso, e NENHUM cronista esportivo ou comentador de arbitragem menciona isso!
Vamos agora à falácia da paradinha. Serei curto e grosso: o argumento maior dos detratores da paradinha é -essa sim- a grande falácia: “É uma covardia contra o goleiro”.
Em primeiro lugar, é contra o goleiro adivinhador de canto, que não merece o honroso título, nem ser o número um do jogo. E, em segundo lugar, e principalmente, covardia é tentar tirar do atacante o gol que faria de forma ilegal! Isso, sim, é uma grande covardia. Lido o texto da regra, espero que nenhum zagueiro vem há com aquela outra falácia: “a lei nos faculta o uso da falta” . Faculta o escambau! Facultasse, não usaria a expressão “serão punidas”, não é?
Não me venham com churumelas, mas se discordarem, com argumentos.







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